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segunda-feira, 23 de Março de 2009

estrada interdita

não sei de onde
nem quando
ou em que era ou idade, se na do Bronze
ou se em puberdades antíquas
nasceu em mim a fome de ser quem sou de verdade:

um mar
um oceano de facto

que não abarco
que não sustenho
que me esgotam do choro ao riso,

por onde navegam sem custo batéis (in)constantes de papel e de palavras,
sem rimas e sem nexo,
ofuscados d’anímicas por um sol excessivo.

cega, indago fórmulas secretas em busca da raiz perdida, matematizo números, dos inteiros aos fraccionários, dos reais aos imaginários, muno-me da vassoura de bruxa e, sem nenhum esforço corro com os fantasmas todos, um a um, da sala escura à vassourada…

desço e subo a escada, (dizem que conduz ao paraíso)
deslizo pelos supranumerários…
(estes, dos muitos gabinetes, sem reciclagem possível. incrível, como a traça não destrói a permanente bagunçada, que bem precisa!!! ).

numa loucura concisa proponho tempos novos ao tempo.
um tempo em que, maestrina, de batuta descoordenada, assumo meu e dirijo num ritmo alucinado de um cansado metrónomo.

na vanguarda de mim
viro cento e oitenta graus a cabeça
(que a tenho suspensa por um único osso, quase, quase despegada, já meio degolada…) olho os meus bolsos de trás, aqueles onde guardei uma centelha de esperança: tem a cor robusta das moçoilas da aldeia, das papoilas erguidas nas searas da vida, com que incendeio o caos que sempre m’habita, de forma permanente (direi que infinita), este, que em cada poema se solta dos terminais dos dedos e transita em julgado, sem método, sem regra outra, e s’eleva em vagidos de sons, banda em dia de festa, no centro de um coreto, ali, ao lado do lago, onde vislumbro o canto incessante de um cisne, se me busco pecadora confessa na desventura e na desdita de, num registo telúrico, de movimento impreciso, ousar rebuscar a forma harmónica na ogiva inacabada de uma estrada interdita.

2 comentários:

Sandokan disse...

Certamente que o caminho para a felicidade não é fácil de encontrar. Porém, há uma frase célebre de Aristóteles com a qual eu concordo plenamente: "A felicidade é feita por nós próprios". Assim, se desejamos encontrar a felicidade, nós é que temos de construí-la, tentando criar um mundo (interior e exterior) que nos satisfaça mais verdadeiramente. É importante estarmos em harmonia connosco próprios, fazermos aquilo que gostamos, que realmente nos faz sentirmo-nos bem (como por exemplo: ouvir música, ler ou apenas relaxar), nem que seja, apenas, uma hora por dia, bem como estarmos rodeados de pessoas que nos confortam, que nos dão carinho e uma palavra amiga e tentarmos, ao máximo, fugir de ambientes que nos deprimem e nos stressam. Mas, não podemos estar passivamente à espera que a felicidade venha até nós ou que alguém a traga simplesmente. A receita para a felicidade é simples, nós é que a complicamos... É importante lutarmos pela nossa felicidade, mas, igualmente, pela dos outros, uma vez que da deles depende a nossa. Por isso, se não custa, assim, tanto ser felizes do que é que estamos à espera?! É que a vida é demasiado curta para sermos preguiçosos...

Gosto muito do que escreve.

Nelson Ngungu Rossano disse...

A minha felicidade é feita a partir das minhas acções, e com a sorte que a vida me dá!!!!! Gostei do que li!

divulgando poesia ... porque gosto. gosto muito!

Poema ao acaso